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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Em memória ao meu eterno MESTRE - Frei Prudente Nery


Sempre garimpei as palavras, textos e pensares de Prudente Nery. Um dia, anotei falas de Prudente numa rara aula. Ajuntei estas e outras pérolas de sua fala. Divido aqui com vocês num raro e inédito momento de um poético pensar Prudente:

Podemos renegar a Jesus... mas a melodia de nossa voz trai que estivemos próximo dele.

Só os Anjos conseguem, na sua delicadeza, arrancar a pedra dos corações tristes.

As estrelas do céu nos dizem mais dos mortos do que uma sepultura. Procure entre as estrelas aquele que está mais próximo de você que antes.

Para todos aqueles que tem o coração em Deus, a morte é um dormir em seus braços.

Não existe morte, mas uma transposição de muros.

É sempre o Coração que primeiro percebe as verdades essenciais da vida.

A vida só é possível à luz da fé... abrindo as paredes do medo.

O mais perigoso é ficar e morar nas garras do medo. É preciso sair para fora. Olhando nos olhos do risco. A vida é cheia de riscos.

É mil vezes melhor perder a vida do que enterrá-la na sepultura do medo.

Por mais que caiamos na vida, nunca cairemos mais fundo do que nos braços de Deus.

Na frieza de nossa vida também habita Deus.

O ser humano não é perverso em si mesmo, apenas desajeitado. É alguém de coração ferido.

A graça se compõe no chão da natureza, e faz com que ela mostre todo o seu vigor.

Não se prenda ao que está à direita ou à esquerda. Olhe para frente e siga Jesus.

É impossível instaurar qualquer paixão por alguém, se não nos apaixonarmos pelo mesmo que esta pessoa ama.

Francisco sentia Jesus Cristo como sua alma gêmea.

Do rosto de Jesus retiramos a Beleza de nossa vida.

Existe só uma forma de se falar de Deus para a Humanidade: quando nas asas de nossa fala, transportamos o humano para Deus.

O vinho e o pão tem o sabor da ausência Daquele que agora é mais presente.

Ter fé é não acreditar que somos filhos de um pai e de uma mãe, mas do gracioso encontro do Finito e do Infinito, da Mãe Terra e do Pai Céu.

Cada filho que nasce é filho da virgem Mãe Terra, útero que se abre e fecha a cada vez.

“A obra de arte é uma mentira que nos faz ver a mais profunda verdade das coisas”, este pensamento é de Picasso, mas como gostaria que ele tivesse vindo das minhas entranhas.

A moral consegue muitas coisas, só não consegue abrir as portas do coração.

O diálogo só acontece quando quebramos nossos preconceitos e pisamos na terra do outro.

Quem faz a experiência do Amor sabe ter limites.

Quem está em paz sabe muito bem o que deve fazer.

Mendigos somos quando refletimos e deuses somos quando sonhamos.

É mais nobre enfrentar a morte de cabeça erguida do que ficar no matadouro de cabeça baixa.

A bondade é muito frágil diante dos bombardeios da vontade.

Tudo o que cair sobre a pedra se quebra, mas se deixar ela cair sobre si, sentirá o peso de ser esmagado.

As pessoas que mais precisam de ajuda, mais temem ser ajudadas.

É possível matar a vida do humano, mas não é possível trancar o coração de Deus.

É mais nobre morrer por uma causa do que por acaso.

Não sei que acaso levou Prudente para a Eternidade. Só sei que suas palavras ficarão para sempre em nós, do mesmo jeito que cantávamos os "Fragmentos de uma Canção quase Rude":

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A ESCOLA – Paulo Freire

"Escola é...
o lugar onde se faz amigos
não se trata só de prédios, salas, quadros,programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente,
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
que não tem amizade a ninguém nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se ‘amarrar nela’!
Ora , é lógico... numa escola assim vai ser fácil
estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se,
ser feliz."

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Para os segundos anos do matutino - Resenha "A beleza está nos olhos de quem vê" - Camila Cury

Resenha "A beleza está nos olhos de quem vê" - Camila Cury

Definitivamente, eu tenho uma frase de peso para lhes dizer hoje: “A beleza está nos olhos de quem vê”! Sim, e ela está mesmo, nos meus olhos, no seus olhos e nos olhos das outras pessoas, mas ver nem sempre quer dizer, enxergar, não é? Muitas vezes, olhamos no espelho e vemos algo que não gostaríamos de ver, sempre surge um defeitinho (mulher nunca está satisfeita! rs), uma dobrinha, ou um culote, uma estria, enfim, mulher é assim e o natural é nunca se elogiar, mas depreciar-se sempre... Isso é errado! E sabe por quê?

No livro “A beleza está nos olhos de quem vê”, de Camila Cury, filha do autor Augusto Cury, lançado pela Editora Sextante, ela nos conta diversas histórias e fatores que nós desconhecemos e que acontecem em nossa cabeça. Se depreciar é algo totalmente ofensivo e perigoso a nós, é algo que nunca pode ser apagado de nossa mente e ela explica o fenômeno e o processo todo que se desenvolve, iniciando pelo Registro de Memória Automática, que depois se torna uma janela killer, ou seja, tudo o que nos faz temer, não gostar, depreciar, tudo mesmo, é guardado nessa janela killer e, uma vez guardado não pode ser apagado... Irá conviver conosco sempre, mas ele pode ser editado, questionado, e isso depende de nós!

No decorrer do livro, Camila, discute diversos fatores, personalidades (como Yoko Ono, Michael Jackson...) e histórias, inclusive a dela. E é fácil perceber o quanto, nós, dilaceramos com nosso corpo, mente e coração. É incrível e assustador o que a mente e simples comentários podem despertar em nós. Confesso que fiquei assustada e agora sei que não devo me prejudicar, mas sim me amar. Entrar em um eterno romance comigo, me conhecer, me adorar... Para depois, quem sabe, eu amar alguém. E isso não acontece só comigo, mas com muitas pessoas que pensam amar o relacionamento, ou alguém, antes mesmo de se amar e isso, como pude ver, é impossível.

Quando você deixa de se amar, ou nunca se amou, é impossível amar ao outro e fazer com que a relação seja benéfica e dê certo. Há muitos relacionamentos, por exemplo, que chegam ao seu fim por motivos banais e ela também cita isso, e eu vou citar apenas um exemplo: Você deve ter algo que não agrada, não tem? Barriga, seios, culote, celulite, coisas poucas, pequenas que não te fazem melhor e nem pior. E isso passa despercebido, sabe por quê? Porque a pessoa que a ama e está ao seu lado não percebe nada disso, pois você é um verdadeiro presente na vida dela, e ela sabe o quanto adora passar os momentos, e as finitas horas ao seu lado, porém, como tudo tem um porém e um mas, você acaba com essa sensação de frescor, alegria, romance e sex appeal quando insiste em plantar seus descontentamentos, não só em sua mente, mas na mente de seu parceiro. Aos poucos o que passava despercebido e ele até gostava, acaba se tornando impossível de suportar. E quem é o culpado disso? Não é o seu parceiro não, mas você, fora tu que procuraste... Pense nisso! Não faça um antimarketing de si, não perca horas e uma vida de alegria por algo que não é maior que você. Você é a maior beleza do mundo, é única... Sua forma já foi destruída, pois ninguém pode ser tão especial quanto você... Cada um tem a sua autoimagem, o seu biotipo e a sua mente.

"Sim, a partir de hoje eu me sentirei bela pelo que eu sou."

Cabe a nós, nos cuidarmos sim, e repito: Se cuidar, sim! Ferir o corpo, não!

"Sim, todas nós, mulheres – judias, muçulmanas, africanas, europeias, chinesas, americanas, brasileiras -, somos diferentes nas características, mas iguais na essência."

Por isso, de hoje em diante, caras amigas, passem mais horas diante do espelho, mas ADMIRANDO-SE, sorrindo, olhando para os seus traços marcantes, seus olhos bonitos e sonhadores, sua boca charmosa, seu sorriso... Encontre a sua essência e não perca-a, pois você é única!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Conto: A águia e a galinha

Contos

A águia e a Galinha

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista:
- Esse pássaro não é uma galinha. É uma águia - Disse o naturalista.
- De fato - retrucou o camponês. É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.

- Não - indagou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem coração de águia. Este coração um dia a fará voar às alturas.
- Não, não - insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:

- Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos, e pulou pra junto delas. O camponês comentou:

- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não - tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia até o teto da casa. Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra as asas e voe.
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando no chão, pulou e foi para junto delas. O camponês sorriu e voltou a dizer:
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
- Não - respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda mais uma vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto da montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas
potentes asas, grasnou e ergueu-se, soberana, sobre si mesma... e começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais alto!

Voou...voou... até confundir-se com o azul do firmamento...
É interessante perceber como cada um de nós é uma águia criada como galinha. Cada pessoa tem dentro de si uma águia. Ela quer nascer, sente o chamado das alturas. Busca o sol. Foi feita para os grandes ideais e os grandes sentimentos, apesar de muitas vezes estar acostumada a ficar olhando para o chão e ficar presa a coisas pequenas como uma galinha ciscando no galinheiro. Por isso somos constantemente desafiados a libertar a águia que nos habita.

Conto : A menina e o pássaro

Conto

A menina e o Pássaro

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo. Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar.

Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades...

Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.

Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão.

"- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você...".

E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.

Outra vez voltou vermelho como fogo, penacho dourado na cabeça.

"... Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga.
Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as estórias.

A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia.

E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre.

Mas chegava sempre uma hora de tristeza.

"- Tenho que ir", ele dizia.
"- Por favor não vá, fico tão triste, terei saudades e vou chorar....".

"- Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "-- Eu também vou chorar.

Mas eu vou lhe contar um segredo: As plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que minhas penas fiquem bonitas.

Se eu não for, não haverá saudades. Eu deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.

Assim ele partiu. A menina sozinha, chorava de tristeza à noite, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa destas noites que ela teve uma idéia malvada.

"- Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá; será meu para sempre. Nunca mais terei saudades, e ficarei feliz".
Com estes pensamentos comprou uma linda gaiola, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Finalmente ele chegou, maravilhoso, com suas novas cores, com
estórias diferentes para contar.

Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz. Foi acordar de madrugada, com um gemido triste do pássaro.

"- Ah! Menina... Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias...".

Sem a saudade, o amor irá embora...
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas isto não aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram suas plumas, os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio; deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava.

E de noite ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu amigo... Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola.

"- Pode ir, pássaro, volte quando quiser...".
"- Obrigado, menina. É, eu tenho que partir. É preciso partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar...

E partiu. Voou que voou para lugares distantes. A menina contava os dias, e cada dia que passava a saudade crescia.
"- Que bom, pensava ela, meu pássaro está ficando encantado de novo...".

E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos; e penteava seus cabelos, colocava flores nos vasos...

"- Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje...

Sem que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro. Porque em algum lugar ele deveria estar voando. De algum lugar ele haveria de voltar.
AH! Mundo maravilhoso que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama...

E foi assim que ela, cada noite ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento.

- Quem sabe ele voltará amanhã...

E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

Conto : A menina e o pássaro

Conto

A menina e o Pássaro

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo. Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar.

Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades...

Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.

Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão.

"- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você...".

E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.

Outra vez voltou vermelho como fogo, penacho dourado na cabeça.

"... Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga.
Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as estórias.

A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia.

E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre.

Mas chegava sempre uma hora de tristeza.

"- Tenho que ir", ele dizia.
"- Por favor não vá, fico tão triste, terei saudades e vou chorar....".

"- Eu também terei saudades", dizia o pássaro. "-- Eu também vou chorar.

Mas eu vou lhe contar um segredo: As plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios... E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que minhas penas fiquem bonitas.

Se eu não for, não haverá saudades. Eu deixarei de ser um pássaro encantado e você deixará de me amar.

Assim ele partiu. A menina sozinha, chorava de tristeza à noite, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa destas noites que ela teve uma idéia malvada.

"- Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá; será meu para sempre. Nunca mais terei saudades, e ficarei feliz".
Com estes pensamentos comprou uma linda gaiola, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Finalmente ele chegou, maravilhoso, com suas novas cores, com
estórias diferentes para contar.

Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz. Foi acordar de madrugada, com um gemido triste do pássaro.

"- Ah! Menina... Que é que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das estórias...".

Sem a saudade, o amor irá embora...
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas isto não aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ia ficando diferente. Caíram suas plumas, os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio; deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava.

E de noite ela chorava pensando naquilo que havia feito ao seu amigo... Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola.

"- Pode ir, pássaro, volte quando quiser...".
"- Obrigado, menina. É, eu tenho que partir. É preciso partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre que você ficar com saudades, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudades, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar...

E partiu. Voou que voou para lugares distantes. A menina contava os dias, e cada dia que passava a saudade crescia.
"- Que bom, pensava ela, meu pássaro está ficando encantado de novo...".

E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos; e penteava seus cabelos, colocava flores nos vasos...

"- Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje...

Sem que ela percebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado como o pássaro. Porque em algum lugar ele deveria estar voando. De algum lugar ele haveria de voltar.
AH! Mundo maravilhoso que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama...

E foi assim que ela, cada noite ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento.

- Quem sabe ele voltará amanhã...

E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

Texto Complementar para os Terceiros Anos quarto bim.

Texto Complementar – ESTÉTICA E FILOSOFIA DA ARTE
ESTÉTICA E FILOSOFIA DA ARTE
O conhecimento através dos sentidos e do belo
"Os filósofos são homens doidos (...) pensar é estar doente dos olhos". (Fernando Pessoa)
"Através da obra de arte, tanto o indivíduo como a sociedade percorrem o caminho em direção à cultura e realizam seu encontro com a eternidade". (Gilberto Cotrim)
Origem da palavra estética - em sua origem, o termo "estética" vem da palavra grega aisthetiké, que se refere a tudo aquilo que pode ser percebido pelos sentidos.
Conceito Kantiano - baseado nessa etimologia, Kant definiu estética, tempos depois, como: "A ciência que trata das condições da percepção pelos sentidos".
Conceito de Baumgarten - no entanto, foi o alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) quem utilizou pela primeira vez o sentido de estética como adotamos hoje como: "Teoria do belo e das suas manifestações através da arte".
A estética como ciência - como ciência e teoria do belo, a estética pretende alcançar um tipo específico de conhecimento: "Aquele que é captado pelos sentidos". Por esse motivo ela contrapõe a lógica e a matemática por exemplo.
Razão X Sentidos - o que difere esse padrão de visão é que as ciências lógicas operam pela razão enquanto as humanas consideram a atuação dos sentidos como vertente máxima.
Sentidos e Estética - a estética parte da experiência sensorial, da sensação, da percepção sensível que não apresenta a mesma clareza lógica-racional.
Objeto de investigação da estética (filosofia do belo) - é a obra de arte. A estética teoriza princípios pertinentes ao belo.
Filosofia da Arte (ciência geral da arte) - todavia, encontramos ainda a filosofia da arte, que procura investigar o desenvolvimento artístico em busca do "sentido" da história da arte. A Filosofia da Arte analisa os aspectos histórico-culturais presentes nas obras artísticas.
O BOM E O BELO - A ESTÉTICA NA EDUCAÇÃO
Por diversos ângulos e com diferentes enfoques, as discussões sobre a beleza e os estético tiveram uma presença marcante no pensamento de vários autores, desde a Antigüidade grega até os nossos dias. Muitas dessas especulações tomaram o rumo de associar o belo e o bom, entrelaçando os campos filosóficos da estética e da moral.
Sócrates e Platão - diziam que o que é bom é belo, e o que é belo é bom.
O belo e o senso comum - o que é complicado em vista de frases comuns ao nosso dia a dia em foco do senso comum: Exemplo "Quando um indivíduo age mal, costuma-se dizer: "Que feio", já se age de maneira ética, corretamente, fala-se que teve uma atitude bonita".
O belo e a educação - o escritor e pensador alemão Schiller (1759-1805) propôs a educação estética como forma de harmonizar e aperfeiçoar o mundo e de o indivíduo alcançar a sua liberdade: "Para chegar a uma solução, mesmo em questões políticas, o caminho da estética deve ser buscado, porque é pela beleza que chegamos à liberdade".
Missão da arte - através do belo, o mundo material se reconcilia com a forma superior de moralismo.
A ARTE E SEU FASCÍNIO
Desde os primórdios, o homem constrói no mundo sua próprias coisas, demonstrando através dos tempos maior ou menor habilidade. Logo:
Arte - é o conjunto de coisas feitas pelo homem e que se distinguem, se sobressaem por revelarem dedicação, capricho, talento, perícia, beleza e eficiência.
Os Sentidos e a Arte - em nossas vidas, já nos encontramos em estado de contemplação na música, na pintura, na dança, na poesia, todavia, é difícil explicar as vezes o que realmente nos encanta em uma obra de arte ou mesmo entender as razões que levam os humanos a serem atraídos pela arte.
Arte segundo Susanne Langer - a pensadora norte-americana Susanne Langer define a arte como: "A prática de criar formas perceptíveis expressivas do sentimento humano". A função primordial da arte para Susanne é "Objetivar o sentimento de modo que possamos contemplá-lo e entendê-lo. É a formulação da chamada "experiência interior", da "vida interior", que é impossível atingir pelo pensamento discursivo".
Prática de Criar - a arte é produto do fazer humano. Deve combinar a habilidade desenvolvida no trabalho (prática) com a imaginação (criação).
Formas Perceptíveis - a arte se concretiza em formas capazes de serem percebidas por nossa mente e que carregam identidade própria. Essas obras podem ser:
1. Estáticas - obra arquitetônica, uma escultura.
2. Dinâmica - uma música, uma forma de dança.
Conceito de Perceptível - a palavra perceptível não se refere às formas captadas apenas pelos sentidos exteriores, mas também pela imaginação.
Expressão do Sentimento Humano - a arte é sempre a manifestação (expressão) dos sentimentos humanos. Esses sentimentos podem revelar a emoção diante daquilo que amamos, ou a revolta que envolve nossos problemas e dissabores sociais.
TIPOS DE OBRA OU CRIAÇÃO
"Uma tentativa de distinguir a arte da técnica".
Ao criar uma obra, o homem pode estar preocupado, de modo mais ou menos intenso, com a produção de objetos úteis ou de objetos belos.
Obra Útil - quando a intenção é a produção de uma obra útil, temos as realizações técnicas, que se desenvolvem pela aplicação prática de um conhecimento.
Obra Bela - quando a intenção de produção de obra bela é dominante temos as chamadas belas-artes e as belas letras, ou simplesmente artes - embora toda arte dependa de uma técnica.
Técnica - é o domínio de uma habilidade prática.
Então conclui-se:
A Arte - enfatiza o belo.
A Realização Técnica - enfatiza a utilidade e a aplicação prática.
Diversidade Artística - desde a Antigüidade o homem vem desenvolvendo vários tipos de arte: artes plásticas (arquitetura, escultura, pintura), música, dança, literatura, teatro, cinema, fotografia etc.
ARTE E SOCIEDADE
Há estudiosos que vêem na obra de arte uma manifestação pura e simples dos sentimentos individuais do artista. Outros a encaram como uma atividade plenamente lúdica, gratuita, livre que quaisquer preocupações utilitárias ou condicionamentos exteriores à sua própria criação.
Fenômeno Social - a atividade artística vai muito mais além disso, a arte é um fenômeno social, pois é impossível situar uma obra de arte sem estabelecer um vínculo com uma determinada sociedade.
Arte é um fenômeno social porque:
1. O artista é um ser social - como ser social, o artista reflete na obra de arte sua própria maneira de sentir o mundo em que vive, as alegrias e as angústias, os problemas e esperanças de seu momento histórico. Para Georg Lukács: "O artista vive em sociedade e - queira ou não - existe uma influência recíproca entre ele e a sociedade. O artista - queira ou não - se apóia numa determinada concepção do mundo, que ele exprime igualmente em seu estilo".
2. A obra de arte é percebida socialmente pelo público - por mais íntima e subjetiva que seja a experiência do artista deixada em sua obra, esta será sempre percebida de alguma maneira pelas pessoas. A obra de arte será então um elemento social de comunicação da mensagem do seu criador. Afirma ainda Georg Lukács: "Uma arte que seja por definição sem eco, incompreensível para os outros - uma arte que tenha o caráter de puro monólogo - só seria possível num asilo de loucos (...) A necessidade de repercussão, tanto do ponto de vista da forma, quanto ao conteúdo, é a característica inseparável, o traço essencial de toda obra de arte autêntica em todos os tempos".
A Arte como Fenômeno Social - como fenômeno social, a arte possui relação direta com a sociedade, essa relação não é estática e imutável, mas ao contrário, é dinâmica e modifica-se no decorrer da história.
Relação Arte e Sociedade - no que diz respeito ao artista, as relações da sua arte para com a sociedade podem ser de paz e harmonia, de fuga e ilusão, de protestos e revolta.
A Censura e o Incentivo - já da relação da sociedade com a arte, poderá ser através da ajuda, do incentivo, ou será de censura, limitação, de opressão.
OBRA DE ARTE
"O fascínio do eterno e do universal"
Afirmar que a arte é um fenômeno social não significa reduzi-la a mero produto de condicionamentos históricos e ideológicos. Não há dúvida de que esses condicionamentos existem e atuam sobre o artista. Mas, na realização da obra de arte, todos os elementos que envolvem precisam ser resolvidos artisticamente, isto é, precisam ser traduzidos em termos de criação estética. Nessa criação é que reside o valor essencial de toda grande obra de arte. Ocorre nela um rompimento com o tempo e um encontro do homem com a eternidade.
Criação Estética - pela criação estética, a obra tende a se universalizar, a permanecer viva através dos tempos, anunciando uma mensagem artística que, independentemente de seu conteúdo ideológico, expressa profunda sensibilidade.
Ernst Fischer - a Arte - "Toda arte é condicionada pelo seu tempo e representa a humanidade em consonância com idéias e aspirações, as necessidades e esperanças de uma situação histórica particular. Mas ao mesmo tempo, a arte supera essa limitação e, dentro do momento histórico, cria também um momento de humanidade que promete constância no desenvolvimento" (Ernst Fischer - A necessidade da arte).
Criação Artística - as circunstâncias particulares que estão presentes na criação artística se unem, harmoniosamente, a elementos de universalidade, que penetram profundamente no espírito humano, gerando um sentido de permanente fascínio.