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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Frases de Sócrates - Pausa para pensar II

Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.

Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.

Meu conselho é que se case. Se você arrumar uma boa esposa, será feliz; se arrumar uma esposa ruim, se tornará um filósofo.

Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses.

O verdadeiro conhecimento vem de dentro.

O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu carácter.

Deve-se temer mais o amor de uma mulher, do que o ódio de um homem.

Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele.

Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.

A maneira mais fácil e mais segura de vivermos honradamente, consiste em sermos, na realidade, o que parecemos ser.

Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.

A vida sem ciência é uma espécie de morte.

Transforme as pedras que você tropeça nas pedras de sua escada.

Conhece-te a ti mesmo, torna-te consciente de tua ignorância e será sábio

Inteligente é aquele que sabe que não sabe nada.

Sócrates

Frases de Friedrich Nietzsche - Pausa para o pensar.

Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.

Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.

O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.

Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.

Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.

As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.

Torna-te aquilo que és.

Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.

As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo.

É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.

O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele.

Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos.


Friedrich Nietzsche

De onde vem o Mal?

Se, no princípio, era o bem, donde vem o mal?

Na herança religiosa do judaísmo, a fé cristã professa que a origem de tudo que é, o universo e todas as suas criaturas, advém de um só e mesmo criador, o único Deus. Fora dele, não há nenhum outro deus. Absolutamente, tudo provém de sua inescrutável criatividade e infinita bondade. Está inscrito, para sempre, no livro das orações, comum a ambas as comunidades de fé, o judaísmo e o cristianismo: Senhor, meu Deus, vós sois imensamente grande. De majestade e esplendor vos revestis... Quão variadas, Senhor, são as vossas obras. Todas, com sabedoria e bondade, as fizestes. Cheio está o universo das vossas riquezas (Sl 104). Mais ainda: Judaísmo e Cristianismo crêem e professam que tudo quanto Deus fez é bom (Gen 2), porque querido e originado de sua bondade.
Mas não é possível negar a vigência do mal. Historicamente, todos o experimentamos. Ora como suas vítimas, ora como seus feitores, ora em claros contornos e figurações, ora difusa e incognitamente. Às vezes, ele vem de fora, contra nós, envolvendo-nos em sua teia, ferindo-nos com sua malícia. Outras vezes, ele vem de dentro, do obscuro de nós mesmos, espalhando ao nosso redor seu veneno e sua maldade. Ás vezes o fazemos propositadamente. Outras vezes, involuntariamente, contra nossas próprias intenções (Rom 7,19-20).
O que é isto, perguntamos, então, às vezes entristecidos, às vezes perplexos, às vezes feridos, às vezes decepcionados conosco ou com aquele que nos fez o mal... o que é isto, afinal, que, contra nosso próprio desejo, contra nossa sensibilidade, contra o senso de humanidade, nos atrai para dentro de uma verdadeira ciranda de frieza, malevolência, agressões, violência e inumanidades?
As Escrituras Sagradas Judaicas e Cristãs não têm dúvida: O mal não tem origem em Deus. Nem tampouco nalgum outro princípio correlativo a Deus, sempiterno como ele, ou num princípio do mal, um concorrente do bem e da bondade. Originário é o bem e ele apenas.
Mas se, no princípio, era o bem, donde vem o mal? As mesmas Escrituras Sagradas insinuam uma resposta, já nas suas primeiras páginas (Gen 3). É a própria criatura (serpente / homem) que, ciente de sua pequenez e finitude (terra / rastejar), quer ser mais do que é, sim, quer ser como Deus (sereis como Deus). Um desejo aparentemente bom e virtuoso (fruto agradável aos olhos e ao paladar), mas a origem de todos os desacertos e males, pois sempre que o homem quer ser deus (senhor / onipotente / onisciente / princípio / a perfeição), ele transforma a sua própria vida, a vida de todos e do mundo num inferno.
Sob a aparência do bem, eis como entra no mundo e nos homens o mal. Uma insídia ardilosa que forja o bem e o promete, sem, porém, jamais cumprir sua promessa. Na verdade, uma grande e enganosa farsa, assim é o mal. E assim são os homens possuídos por ele: não demônios, mas enganados por sua própria natureza. Homens que, querendo ser grandes, estão dispostos às mais odiosas baixezas. Que, querendo ser perfeitos, são capazes das mais abomináveis mentiras. Que, querendo o mundo, perdem-se a si próprios. Que, por um punhado de moedas, prestam-se a trair não apenas a outros, mas a si próprios. Que, querendo tudo possuir, vendem-se a si mesmos abaixo de sua humanidade. Que, querendo valer mais do que já valem (bom), perdem até o que já são. Que querendo ser deuses, se transformam em pobres diabos, ou em caricaturas humanas, infelizes e perdidos do caminho.

(Frei Prudente Nery, grande teólogo brasileiro, faleceu em junho de 2009)

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China . Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo : a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.

Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!

Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ' Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual - pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais...

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções - é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.

A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.

Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.' Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.
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Frei Betto é escritor

A última noite de Maria


No dia 1º de novembro de 1950, Papa Pio XII, após sondar a tradição da Igreja e ouvir todos os bispos católicos (1949), promulgou solenemente a “Assunção de Maria”. A Igreja verbalizava, assim, com clareza e em caráter definitivo, uma antiqüíssima convicção da fé cristã. Do Concílio de Calcedônia (451) ao Concílio Vaticano I (1869 - 1870), a crença de que Maria, por sua vida singular, estaria, já agora, na glória de Deus, foi professada por incontáveis cristãos.
Nós te louvamos, Senhor do universo. Pois, hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Ela é consolo e esperança para o teu povo ainda em caminho. Pois, nela, vemos o nosso futuro, canta o prefácio de sua festa. Pois esta é a nossa esperança: que, um dia, para além da morte e do mundo, seremos acolhidos por Deus, com tudo aquilo que compôs a nossa vida. Não apenas naquilo que fomos lá dentro de nós mesmos, em nossa interioridade (alma), mas também com tudo aquilo que, no âmbito de nossa vida, aprendemos a querer bem e que, por isso, passou a integrar a totalidade de nosso ser (corpo). Dentro e fora, o que fomos em nossos secretos sonhos (alma) e o que conseguimos ser em nossa realidade (corpo), o que construímos em nossa interioridade (alma) e o que partilhamos com os outros e recebemos do mundo (corpo).
Corpo, precisaríamos precisar melhor, é muito mais do que apenas este amontoado orgânico de células, a nossa carne. Ele é também o olhar, a destreza dos dedos, a generosidade das mãos, a palavra, o ouvir, o bailar, o drible, o saltar, o dobrar os joelhos, o suor, a lágrima, a luta, o afago que se dá e se recebe, o beijo, esta carícia dos corações.
Ainda que nos sintamos bem em nossa pele, nossa carne não é apenas o lugar do nosso ser, a visibilidade ou o sacramento de nosso mistério. Ela é também um limite e, em muitos casos, um terrível sofrimento. Nosso coração quer voar, mas a carne nos retém ali. A saudade nos convida para longe, mas, no cárcere de nossa carne, não podemos abraçar a pessoa amada. O espírito, lúcido ainda, quer realizar tantos sonhos, mas a força dos braços já não basta mais. E as dores inexprimíveis que, cravando-se na carne, roubam toda a alegria de viver.

Um dia, assim o cremos, no ocaso de nosso mundo e na manhã da eternidade, os limites cessarão e os sacramentos já não serão mais necessários, pois veremos a graça, face a face. De igual modo, também conosco. A casca rebentará e, de dentro do ovo, irromperá um pássaro de inimaginável beleza, a totalidade de nossa vida. Para trás ficarão alguns restos, já não mais necessários, pois foram apenas o lugar de maturação para o nosso último destino: a morada de Deus.
Em torno do ano 600, o Imperador Maurikios Flavios Tiberios determinou que fosse celebrada, em todo o território oriental do Império Romano, no dia 15 de agosto, a festa da Dormitio Mariae (O Sono de Maria), em recordação do dia em que a Mãe de Jesus Cristo teria deixado este mundo e ido para o céu. Pois contava-se, a essa época, que, certo dia, nossa mãe, Maria, recolheu-se em sua casa. Não se sabe bem se nas proximidades de Jerusalém, no Monte Sião, ou se em Panagia Kapulü, ao sul de Éfeso. E aí, no corpo, o cansaço dos muitos anos e, na alma, a saudade de seu filho, ela adormeceu. E naquela noite, enquanto ela dormia, vieram dos céus multidões de anjos e, tomando-a nos braços, carregaram-na para junto de seu filho.
Verdadeiramente: para aquele que crê, nunca a morte será um fim. Mas um sono, em que, desfeitos de nossos limites, finalmente voaremos ao encontro de Deus, nossa origem e nosso último destino.

(Frei Prudente Nery, grande teólogo brasileiro, faleceu em junho de 2009)

Maria: mãe nossa e companheira na fé

É esta política que queremos???